Cirrose: dá para regredir?

Cirrose: dá para regredir?

Olá! Espero que você e seu fígado estejam bem. Afinal, tudo o que passa pela boca é metabolizado pelo órgão. O que faz com que ele tenha vários inimigos, sendo o álcool um dos mais terríveis. E não se engane: o fígado reconhece como etanol absoluto tanto a bebida caríssima quanto a que custa cinco reais o litro. Ambas provocam exatamente o mesmo dano quando consumidas em excesso. E, por excesso, não entenda apenas o cometido pelo morador de rua que vive embriagado. Mas, também, o executivo que toma suas doses de uísque nas reuniões e mais uma à noite, em casa, para relaxar. Assim como quem fica a semana toda na seca, como dizem os jovens, e faz do fim de semana uma happy hour sem fim.
Seja qual for a situação de abuso, fato é que o álcool irrita a membrana das células do fígado. Insistir na bebedeira, faz com que essa pele fininha que recobre as células se transforme num tecido parecido com o de uma cicatriz. É a cirrose, que deixa o fígado duro e com dificuldade de realizar suas mais de 200 funções. Para piorar, os sintomas demoram a surgir. Aparecem quando a situação já está grave. Geralmente os olhos ficam amarelados e a pessoa começa a reter líquido, ficando com lesões na pele, com o corpo inchado e a chamada barriga d’água. Nos casos mais avançados, pode vomitar ou evacuar sangue.
Seguir bebendo é dar sorte para o azar e fazer com que a cirrose evolua para um tumor maligno. O câncer, que tem como única solução o transplante.
Por isso é que o diagnóstico e o tratamento precoce são tão importantes e, por vezes, capazes de estabilizar ou até de regredir as lesões provocadas pela cirrose. Para constatar o nível de comprometimento do fígado são feitos exames de sangue, imagem e biópsia. Alguns medicamentos podem ser usados para poupar o fígado e tentar de toda maneira evitar o transplante.
Mas o sucesso do tratamento depende da pessoa parar de se enganar sobre ser alcoolista e contar com uma equipe multidisciplinar para parar de beber. A família deve estar envolvida nesse processo, assim como gastroenterologista com título de especialista em hepatologia pela Sociedade Brasileira de Hepatologia. A missão não é fácil, mas é perfeitamente possível. Tenha fé. Eu fico por aqui. Um abraço, e até o próximo HepatoNews.

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